C@fe com Jornal |
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Diego Cruz, 22 anos, estudante de jornalismo (mas apesar disso uma boa pessoa), estranho, e...não sei mais!
"Se o homem fosse completamente desprovido da faculdade de sonhar, eu não poderia entender o que o levaria a realizar vastos e fatigantes trabalho na arte, na ciência e na vida prática... Quando existe contato entre o sonho e a vida, tudo vai bem."
Pissarev, em trecho citado por Lênin em "Que Fazer"
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Sábado, Agosto 11, 2007
Depois de anos, volto a esse lugar empoeirado para anunciar o novo endereço. Anotem em seus caderninhos: Mais Uma Mentira Abaixo, uma pequena apresentação do Mais Uma Mentira: Pois então, depois de tantas e tantas voltas aqui estamos novamente. Não sei bem de onde surgiu a idéia desse blog. Talvez, pela própria necessidade de se escrever ou expressar. Acho que é isso que as pessoas procuram quando criam algo assim. Bem, já tive outro blog. Depois de um certo tempo o abandonei. Hoje, ele jaz coberto por mofo e poeira. Enquanto durou, até que foi interessante. Cheguei a conhecer pessoas bacanas através dele (e não me venham dizer que "bacana" é brega). Vou deixá-lo lá pois é sempre bom reler coisas mais antigas. Perceber o que mudou e o que permanece. Não que às vezes não seja assustador... mas deixemos esse assunto para outro momento. Não sei se esse aqui vai durar muito. Sinceramente, pouco me importa. A idéia do Mais uma Mentira é ser, de certa forma, mais literário, uma simples experiência. Sem pretensões. Apenas simples, leve e descompromissado. Como a vida deveria ser. Sejam bem vindos! Comments: Segunda-feira, Fevereiro 20, 2006
Comments: Quinta-feira, Outubro 13, 2005
![]() É certo que isso me incomoda já há algum tempo. Porque resolvi escrever algo só agora? Talvez a combinação perfeita entre tédio, insônia, e, principalmente, uma profunda preocupação militante pelas coisas triviais. Mas enfim, do que se trata minha cruzada santa séculos depois que os mouros foram expulsos da península ibérica? Enfim, não sei se encontrarei eco nisso que atormenta meu sono, mas ocorre que vivenciamos uma incontrolável profusão de pontos e acentos gramaticais. Não sei bem como teve início, mas essa onda de acentos ameaça nos engolir de forma impiedosa, caso não a controlemos. Um verdadeiro tsunami verbal. Evidente que a completa abolição de todos os pontos que tem a função de conferir algum destaque ou diferencial numa frase tornaria a vida um grande formulário de imposto de renda. Mas o uso descontrolado faz o extremo inverso e simplesmente banaliza os malditos pontos. Vamos pegar um exemplo não menos sem importância. O referendo da proibição do comércio de armas (mal chamado de desarmamento). Um slogan que poderia denotar alguma argumentação e sobriedade, como Vote Não, vira um histérico Vote Não! (não dá até pra ouvir Bolsonaro bradando isso?). A campanha do sim, por sua vez, vem embalada numa grande festa global (de Globo) e trata a população como criancinhas ingênuas. E, claro, pra coroar a opção que tornaria nossas vidas melhores e o mundo perfeito, nada como um bom ponto de exclamação!. De onde viria isso? Seria talvez o reflexo de um tempo de emoções fugazes e vazias? Devem ter percebido que meu ódio se dirige principalmente contra o fatídico ponto de exclamação, mas não só. O onipresente ponto de interrogação (o qual pessoalmente utilizo além da conta) assombra nossos textos, mostrando uma época em que as perguntas se avolumam em busca de alguma resposta. Ou a não menos deprimente reticências, estas hegemônicas em blogs e afins, o que me causa uma angústia sem fim. Pois é, os pontos invadem nosso leito. Como diria meu amigo Vladimir, o que fazer? Poderíamos regulamentar o adequado uso dos pontos. Desta forma, qualquer cidadão poderia, após um treinamento claro, retirar sua autorização para utilizar os pontos em seus textos. Uma rígida fiscalização, por sua vez, ficaria responsável por reprimir eventuais abusos. O Estado, obviamente, vai reivindicar o monopólio do uso dos pontos, argumentando que isso é coisa muita séria para ficar nas mãos de cidadãos comuns, incapazes de escrever suas coisas por conta própria. E aí, pra validar isso, vai provavelmente promover um referendo qualquer sobre a proibição dos pontos, no qual as perguntas invertidas ( o sim como não e vice-versa) enganariam a população incauta. Enfim, as possibilidades são muitas. (...) E, chegando perigosamente na marca das 23 primaveras em pleno verão, posso perceber claramente a elasticidade do tempo. Uma semana nostálgica de muitas recordações fez-me ver que, contudo, o tempo passa e nossas vidas seguem. E Chronos não se satisfaz. My shadows are the only one that walks beside me My shallow hearts the only thing that's beating Sometimes I wish someone out there will find me Till then I'll walk alone
Comments: Segunda-feira, Agosto 08, 2005
Dia após dia, de forma absolutamente inexplicável, o horizonte diminuía. Porém, embora mais curto, ainda se mostrava imponente à vista. Nosso solitário viajante decidiu então prosseguir em sua jornada, embora sua motivação não fosse a mesma. Talvez fosse o efeito natural da viagem, pensou. Uma simples mudança de perspectiva, talvez. Aos poucos também, de forma quase imperceptível, as tarefas cotidianas que outrora cumpria com tanto vigor, transformavam-se em movimentos rítmicos, quase mecânicos. A rotina ocupava agora o centro de sua atenção. O tempo que passava traçando os mais ousados planos, pra não dizer impossíveis, utiliza agora integralmente na resolução dos mais triviais problemas que antes passavam desapercebidos. Ou seja, o espírito de nosso intrépido herói acalmou-se, moldando-se à letargia das águas do oceano, sempre tranqüilas. Embora houvesse tempestades, geralmente no meio da madrugada, o tempo logo melhorava abrindo espaço para mais uma interminável manhã de sol. O tempo passava, desta forma, como um relógio. Um ciclo incessante. Como fazia todos os dias, observou certa manhã o destino a frente cujas ondas o levava. Concluiu que não havia mais para onde ir. O infinito horizonte não passava de um ponto. Um ínfimo ponto à sua frente. Descobriu também que não eram necessárias mais velas ou remo para impulsionar a pequena embarcação. O barco se movia lentamente como se atraído por uma força, fraca porém constante, irradiada daquele ponto. Num raro momento de reflexão, fez o que nunca tivera feito desde que partiu de terra firme. Olhou para trás cogitando a possibilidade de voltar. Assustou-se ao perceber que não havia mais nada para trás. Nada além de uma turva neblina que engolia mar e céu. Apesar do sobressalto, passageiro, sabia de alguma forma que vislumbraria tal cenário. Desde a partida, sabia intuitivamente que não havia como voltar atrás. Aos poucos, se deu conta que o tal ponto não passava de um orifício, uma abertura sobre a qual desaguava todo o oceano. Era tal buraco que puxava lentamente o barco. Um princípio de desespero tomou conta de nosso estimado amigo. Mas, como sabemos, todos os sobressaltos nessa história são efêmeros e dão logo lugar à inércia. O herói de nossa pequena epopéia, não tinha história e agora não contava mais com futuro. Enxugou um fio de suor que escorria ligeiro de seu rosto e continuou com seus afazeres domésticos. Parou de olhar para frente e enxergava agora apenas o chão de madeira de seu lar, que logo seria engolido inexoravelmente. Enfim, voltou à velha rotina, não muito diferente de todo o resto da viagem. À sua frente, apenas o vazio.
Comments: Domingo, Maio 08, 2005
![]() E então, vamos dar seqüência à nossa longa e inesgotável série sobre trivialidades banais (e redundantes, claro) que preenchem nossas vidas enquanto vagamos distraídos pelo tempo, rumo à inexorável finitude. Uma delas é o fenômeno virtual importado das terras germânicas conhecido como orkut. Por alguma razão inexplicável, mais de 60% dos usuários do orkut são brasileiros. Nós que, supostamente, somos mais afeitos ao relacionamento humano e direto... Bem, fato é que o orkut, instrumento ligado ao Google, é um fenômeno mundial e arrebanha mais adeptos a cada dia. Por que tamanho sucesso? Como eu sou uma verdadeira fábrica de teorias para os mais variados assuntos e temas ( teorias empíricas, é bom que se diga), dou aqui minha pequena contribuição. Nos mais variados relacionamentos que travamos cotidianamente, construímos uma imagem que desejamos que seja associado a nós por determinada pessoa, dependendo da situação. Porém, por mais que nos esforcemos, essa auto-construção da imagem esbarra em limites muito bem estabelecidos. Por isso, infelizmente, não podemos ser "quem queremos ser". Pessoalmente, não posso simular o comportamento de um Don Juan devido à minha, digamos, "desassociabilidade", que se amplifica exponencialmente em relação ao sexo oposto. Agora, no Orkut, temos a capacidade de, cuidadosamente, construir nossa própria imagem. As comunidades selecionadas, mais do que estimular discussões sobre determinado assunto, servem mais como um menu para oferecer pistas sobre nossos gostos e opiniões (e aqui, apenas o que desejamos que se torne público). A imagem de exibição é criteriosamente selecionada. Os testimonials são uma espécie de adulação recíproca onde tudo o que pode ser visto como negativo é simplesmente omitido. No orkut, finalmente, podemos ser vistos como desejamos. Enfim, é o mundo perfeito. Deixando um pouco de lado esse psicologismo barato e superficial, caindo dolorosamente no materialismo, o Orkut é um sensacional instrumento de marketing. Onde mais deixaríamos exposto à quem quer que seja nossos mais variados gostos de consumo? E mais, voluntariamente e com uma mínima margem de erro. Não deve existir pesquisa de mercado mais barata e confiável que essa. Quando meu lado conspiratório aflora, não deixo de imaginar os desdobramentos que isso pode ter num futuro não tão distante. Nossos mínimos movimentos sendo catalogados pelas corporações. Camundongos em um imenso laboratório de pedra. Pensando bem, isso já ocorre de certa forma. Bom, fato é que, depois de meses de relutância, entreguei-me. Fiquei completamente viciado no orkut e agora dispenso boas horas da minha vida observando imagenzinhas 3X4... Deus do céu, o que virá depois? Aos interessados, podem me "adicionar" aqui. Choraremos juntos a decadência do mundo e de nós mesmos.
Comments: Sexta-feira, Abril 29, 2005
O pequeno barco a velas começou a se mover lentamente, distanciando-se do cais. Os ventos daquela calma manhã de verão prenunciavam um dia tranqüilo e agradável. Voltou-se para o horizonte e levou as mãos à fronte, para proteger a visão dos ofuscantes raios de sol que precipitavam pepitas douradas no mar. À sua frente, vislumbrou com um certo espanto a imensidão do horizonte que se lhe apresentava. Nunca havia reparado na extensão magnífica da aresta do mundo. De uma ponta à outra, a linha limite que seus olhos podiam alcançar cortava o universo e parecia não menos que infinito. Assim, teve início o que deveria ser a longa jornada de nosso viajante. Não podia conter a ansiedade de ultrapassar aquela linha que surgia imponente. Sentia que qualquer obstáculo ou desafio não era páreo. Ou melhor, quase desconhecia o sentido da palavra impossível. Não por um suposto excesso de confiança, tampouco por um orgulho exacerbado. Mas simplesmente porque tudo o que via lhe parecia tão táctil que poderia estender seus braços aos céus e agarrar uma estrela com as próprias mãos. Sucediam-se os dias vagarosamente. Acordou num sobressalto que quase o jogou a alto mar. Levantou-se depressa, checou a vela e seus instrumentos de navegação, confirmando num suspiro de alívio que tudo estava bem. No entanto, quando na estreita popa olhou à frente, como fazia todas as manhãs, seu coração bateu mais rápido. Inexplicavelmente, o horizonte se mostrava mais curto. A linha limite com que sonhava todas as noites tivera seus extremos aparados. (continua)
Comments: Quinta-feira, Abril 07, 2005
![]() E já dizia Willian Hearst, o magnata da mídia imortalizado no clássico Cidadão Kane, de Orson Welles: "Nunca se perde dinheiro quando se subestima o nível de consciência da população". Digo isso quando todas as câmeras de TV estão apontadas para o Vaticano, onde cerca de 117 simpáticos velhinhos discutem quem vai ser o próximo idoso a viajar milhares de quilômetros pelo mundo, acenando para a cada vez mais parca multidão, até morrer e ser substituído por outro velhinho. Porque tão estranho quanto um papa chamado Karol condenar o homossexualismo, é testemunhar essa artificial comoção criada pelos meios de comunicação. Um desavisado que assistisse os principais canais de TV desde que Karol "tocou o Senhor", e lesse os grandes jornais (ou jornais grandes), teria a certeza de que, ao sair de casa, se depararia com milhões de pessoas chorando desesperadamente, se auto-flagelando como prova de sua dor. No entanto, esse tipo de cena só pode ser vista dentro do ângulo limitado e quadrilátero do altar sagrado da modernidade. Fora dele, as pessoas continua a ser preocupar com o preço do pão, com a violência e as chances do Corinthians se classificar. Basta ver que, ao transmitirem as infindáveis cobertura do velório, as emissoras, em média, tinham menor ibope. Claro que tanta exposição forçada do Papa se arrastando, sussurrando e tremendo durante anos não deixo de causar um certo impacto. E é natural. Impossível não associá-lo ao avô bem velhinho ou àquele tio nas últimas. E, explorada até as últimas conseqüências pela mídia e a própria Igreja, esse fenômeno tende a ganhar uma certa expressão. Mas nada próximo ao que os meios de comunicação fazem parecer. Depois desses momentos artificiais de comoção e dor, observando em perspectiva, veremos com quantos crimes se faz um papa.
Comments: Quarta-feira, Março 02, 2005
![]() "Agora, só mais um pouquinho de paciência", pediu o dentista enquanto perfurava meu dente com uma broca. Tentava parti-lo ao meio para facilitar sua extração. Seria perfeitamente suportável não fosse um único detalhe: a anestesia local não atinge os nervos internos do dente. A violenta entrada broca foi acompanhada por uma dor intensa e aguda. Quando o dentista a retirou, pude ver suas luvas e me lembrar do que realmente somos feitos. E foi dessa forma que senti a pior dor da minha vida, como se minha própria alma (caso existisse) fosse trespassada por uma furadeira da finura de um fio de cabelo (caso existisse). Não seria exagero dizer que minha última semana se resumiu a uma novela mexicana repleta de suplício, dor e sangue. Tudo começou com um pequeno incômodo num molar qualquer num canto recôndito do céu da boca. Algum tempo depois, teve início o que poderíamos chamar de dor, se alastrando pelos molares da mandíbula. Ora, seria muito azar ter cárie em vários dentes ao mesmo tempo, pensei ainda que um tanto hesitante (se existe algo que aprendi nesses anos todos foi nunca subestimar meu azar). Veio-me a mente, como um flashback de seriado americano dos anos 70, a voz de minha dentista advertindo, há alguns anos atrás: "você tem que arrancar esses dentes, não se esqueça de arrancar esses dentes, dentes, dentes, arrancar, dentes, dentes...". Isso depois que ela pegou o raio-X da minha arcada, fez uma careta e soltou um sonoro "hummm...". Bem, aviso devidamente ignorado, anos depois senti a dor do impacto entre o avanço da civilização e seu desalinho com nossa evolução biológica. Porque o dente do siso não é nada mais que isso. O terceiro molar, no período em que caçávamos animais e ainda não possuíamos microondas, servia para amassar alimentos duros, antes de degluti-los com voracidade. Numa época de cremogemas e pães murchos de mc'donalds, ele ficou completamente obsoleto, se tornando num doloroso estorvo. Aos poucos, ele vai desaparecendo. Em alguns poucos sortudos da espécie, o siso nem chega mais a se manifestar. Dentro de alguns milhares de anos nos veremos livres de uma vez desse entulho evolutivo. Com sorte, até mesmo da cremogema e do mc'donalds... Passando pro lado mitológico, o dente do siso é popularmente conhecido como dente do juízo. Isso devido à idade em que ele aparece na maioria das pessoas, entre os 17 e os 20 anos. Ele demarcaria a passagem da vida adolescente para a vida responsável dos adultos. E claro que isso não poderia ocorrer sem dor. Mas, voltando ao início desse dramático relato, os meus sisos irromperam abruptamente, provando que as comodidades do mundo moderno têm o seu preço. Depois de uma semana de agonia com um desfecho à lá Tarantino, finalmente extirpei o meu juízo. E pensando bem, sempre tiramos lições de nossas desventuras, não é mesmo? Após isso tudo, tirei algumas conclusões que levarei para toda minha vida: Todos, sem exceção, analgésicos do mercado são placebos de farinha. Todos, sem exceção, antibióticos e anti-inflamatórios do mercado são placebos de farinha. O cara que descobriu a Lindocaína (nome fantasia mais conhecido: Xilocaína) deveria ganhar um Nobel. Dormir é bom. Não conseguir dormir é ruim. Muito ruim. Mastigar é bom. Não conseguir mastigar é ruim. Muito ruim. E o principal de todas: crescer é difícil e envelhecer é doloroso.
Comments: Terça-feira, Fevereiro 08, 2005
![]() Seafood, James Sullivam Tão certo e inexorável quanto o aumento da taxa de juros ou um próximo disco do Roberto Carlos, é o nosso derradeiro fim. O grande dilema que se apresenta é o que fazer com esse curto intervalo de tempo a que denominamos vida. Certamente, essa não é uma questão que preocupa grande parte da população, mas sim apenas aquela que tem tempo e oportunidade de se fazer tal pergunta. O labirinto intrincado do cotidiano impede-nos que encontremos a nós mesmos. Limita-nos o mundo ao nosso raio de visão. Supermercados, pão, leite, banco, casa. No final da semana, pegue seu peão e volte ao início do tabuleiro. O que existe de fato é uma terrível inércia, tal qual a correnteza de um rio. Juntos, também de forma inexorável, somos empurrados no mesmo sentido rumo ao oceano. Desaguando no ocenao Lembro-me agora do filme alemão Edukators. Três jovens idealistas criam um grupo "terrorista" cujo objetivo se limita a invadir mansões de magnatas e mudar os móveis de lugar. Esperam assim espalhar o pânico entre a burguesia e, de alguma forma, mudar o mundo. Um belo dia são surpreendidos pelo dono de uma das mansões, e se vêem obrigados a seqüestra-lo para não serem presos. Em pleno cativeiro, ficam sabendo que o ricaço outrora também foi um jovem idealista, filho da revolução de 68. A ironia da história é que, quando rebelde, o magnata era mais radical e libertário que seus próprios seqüestradores. A explicação para essa transformação: o casamento, filhos, contas a vencer. "Quando percebi, estava votando no partido conservador", argumentou o ex-revolucionário. Preso na apatia massacrante do cotidiano, foi arrastado para o oceano como tantos outros. A pressão social que se exerce sobre nós busca mostrar a realidade como fruto de inúmeras fatalidades, o que chamamos por destino. Limitamo-nos, então, a dar respostas imediatas a questões prementes. Não somos mais senhores de nosso próprio destino, e sim o trágico resultado de fatores externos. Mas, enfim, o que diabos quero dizer? Bem, se você sobreviveu a esse tortuoso texto desconexo, deve estar se perguntando: o que esse cara quer dizer? Voltemos ao início. A correnteza, a inércia do cotidiano nos impede de ter consciência de nossas próprias vidas. Sem isso, não temos muitas escolhas, entende? Claro que existe uma enorme discussão sobre os limites de nossa "liberdade", ou se isso realmente existe... Certa feita, encontrei um colega na faculdade que não via fazia algum tempo. Também ativista do movimento estudantil, pergunto-lhe como andavam as coisas por lá. Ele me olha, faz um muxoxo e diz que não andava muito preocupado com essas coisas: "Descobri que a alienação é muito prazerosa". Em tom de brincadeira, perguntei-lhe então se havia decidido tomar a pílula azul. Surpreendentemente, naquele exato momento ele estava lendo aquele livro que relaciona o filme Matrix com filosofia: "Bem Vindo ao Deserto do Real". Mas enfim, o quero dizer é que nossas escolhas não são tão simples quanto tomar uma pílula. Retornando novamente ao nosso assunto, da mesma forma que as pessoas não refletem sobre suas próprias vidas, temem e se torturam ante a perspectiva do fim. Não que eu ache que essa preocupação não seja normal. Tenho verdadeira obsessão com o tema (já devo ter contado sobre meus recorrentes pesadelos). Mas, como diz Bukowski, o velho safado: "o que é terrível não é morte, mas a vida que as pessoas levam, ou não levam até sua morte". Resta-nos, então, romper tal inércia e nadar contra a corrente. Os que não se perdem tornam-se deuses. Os que não conseguem, se suicidam. PS: Como vêem, estou cada vez menos claro e objetivo. Pra minha profissão, isso deveria ser um sério motivo de preocupação. Pensei seriamente em deletar esse post, mas por alguma razão, ele permanece aqui. PS2: Em breve, minha incrível experiência com o já citado Bukowski Comments: Quarta-feira, Janeiro 12, 2005
![]() cronos, deus do tempo na mitologia grega, sanguinário e vingativo
Comments: Domingo, Dezembro 26, 2004
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Comments: Quinta-feira, Dezembro 16, 2004
![]() _It´s violence! _No, it´s wonderfull! Só mesmo um filme como "Os Sonhadores" para me obrigar a revolver as teias e o pó desse blog. O filme narra uma jornada onírica regada a sexo, álcool e rock, tendo como pano de fundo a rebelião estudantil/operária de Maio de 68, na França. O longa do italiano Bernardo Bertolucci pode ser resumido, grosso modo, em apenas três simples palavras: lindo, lindo e lindo. Matthew, um jovem americano viaja a Paris em plena efervescência cultural e política daquele período. Assíduo freqüentador da Cinématheque, ele conhece Theo e Isabelle, um fascinante casal de irmãos gêmeos durante as manifestações contra a demissão do diretor do cinema. Os irmãos, filhos de um famoso poeta francês, convidam então o rapaz a deixar a precária pensão em que morava para fazer-lhes compania. Começa aí uma história de incesto, revelações sexuais e profundas afinidades.
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Comments: Sábado, Novembro 13, 2004
![]() Quando criança, uma idéia sempre me vinha à cabeça quando brigava com meus pais. Uma idéia tão simples quanto fantasiosa. "Deveria existir um guia prático sobre como educar seus filhos", pensava revoltado. Seria fácil. Junto com o bebê, envolto na placenta e preso ao cordão umbilical, um manual seria gerado. Um guia mesmo, como um manual do proprietário de um carro. O guia traria desde as mais básicas informações, para os genitores inexperientes, até as mais complexas regras de convivência e educação que devem reger as relações humanas. Tudo devidamente ilustrado e com um glossário no final. Tiro e queda. Não haveria mais contendas entre pais e filhos e o mundo seria melhor. Pouco depois desenvolvi a idéia e achei que isso seria insuficiente. Cada pessoa deveria vir ao mundo com seu próprio manual. Desta forma, a relação pai e filho seria apenas um dos muitos capítulos do guia. Evidentemente, a leitura do manual só seria possível após a alfabetização. Cada etapa da vida do ser humano teria todo um capítulo explicativo. A leitura, claro, deveria seguir uma estrita ordem cronológica. "Como espremer suas espinhas sem deixar marca", "Calma, isso é perfeitamente natural", "É hora de trabalhar", "Mudando de emprego". O capitulo final seria o mais aguardado: revelaria de forma clara e concisa todos os grandes segredos do mundo e o principal deles: a razão da vida, como um apoteótico desfecho de um livro de suspense. Não sei quanto a você, mas eu tenho o grave defeito de folhear as últimas páginas de um livro que estou lendo. Eu já conheceria todos os segredos da vida logo de cara e tudo faria sentido. "Ah, mas você perderia toda a magia do mistério do desconhecido", argumentariam alguns românticos. Nada! Por exemplo, no primário eu nutria uma arrebatadora paixão platônica por uma garota. Alguns diziam "assim é mais gostoso". Não! "Gostoso" seria agarrar a pobre menina e tascar-lhe um beijo na bochecha! Compreende? Isso seria viver plenamente. Ao invés de mera contemplação, a mais pura ação consciente. XXII Foi rápido, fácil e indolor. Quando percebi, já tinha vinte e dois anos nas costas. Li recentemente uma reportagem sobre uma tal crise dos vinte e quatro ou algo assim. Para mim, parece batata. Depois de passar pela crise dos dezoite e meio, dezenove e um quarto, e agora os quase vinte e dois, dá pra encarar qualquer coisa. Agradeço de coração as felicitações. Comments: Sábado, Outubro 16, 2004
![]() Mais uma feliz descoberta dos sebos paulistanos, "Santuário", de William Faulkner, não é nada menos que surpreendente. Dizem as más línguas que Faulkner é o único escritor americano digno deste adjetivo. O autor de "O Som e a Fúria" tem como principal tema a decadência da sociedade sulista pós-guerra da Secessão. Seus personagens variam do negro discriminado às famílias tradicionais decadentes, em tramas que revelam os pormenores do submundo urbano. Uma das coisas mais interessantes no autor é sua estrutura narrativa. Toda a história é fragmentada em capítulos, apresentando cada um uma perspectiva distinta sobre a trama e seus personagens. Algo bem interessante de se perceber num autor auto-didata que sequer completou o ensino secundário. Agora, troque a Memphis dos anos 30 pela Nova Iorque da década de 60 e temos o quê? Lou Reed declamando o inferno das ruas nas canções do Velvet Underground. O whisk proibido pela lei seca agora é a cocaína popularmente disseminada entre os jovens que abandonavam o mundo cor-de-rosa dos hippies.
Nós, os figurantes Mudando completamente de assunto, pode parecer absurdo mas algo que sempre me causou certa indignação é a constante banalização da vida dos figurantes nos filmes, especialmente aqueles que tem Stalone ou Vandame distribuindo tiros e sopapos em escala industrial. O musculoso protagonista corre atrás do bandido em meio a um movimentado shopping. Saca sua pistola automática e desfere dezenas de disparos a esmo. Obviamente, não acerta nenhum em seu alvo, ou o filme terminaria rápido demais. Ocorre que os pobres figurantes são alvejados impiedosamente e morrem aos cântaros! Quantas histórias de vida, experiências, conhecimento se perdem em cada desconhecido que tomba inutilmente? Talvez isso expresse a brutal massificação da sociedade em que vivemos. Somos bilhões de formigas operárias desfilando rumo ao formigueiro, não fazendo diferença que nos pisem e matem milhares de uma vez. Comments: Segunda-feira, Outubro 04, 2004
![]() Você já sentiu saudades de um tempo nunca vivido? Um tempo no qual o futuro se mostra tão incerto quanto sedutor? Um tempo no qual o chamado "arrancar alegria ao futuro" fosse mais que uma frase estampada no caderno? Dias desses folheei um livro de fotografias parisienses, "Paris in the Sixties". Uma parte do livro era dedicada ao Maio de 68, movimento estudantil deflagrado em Paris que em pouco tempo se alastrou por todo o mundo. Inicialmente causado por questões meramente específicas dos estudantes de Paris, as manifestações abarcaram reivindicações operárias, assim como um profundo sentimento anti-imperialista (na época contra a guerra do Vietnã). O olhar e a expressão dos jovens franceses estampados nas velhas fotografias em preto e branco parece emanar uma cor mais viva que a desbotada realidade de hoje. Assim como um poema simbolista, a sinestesia das fotos permite escutar a estridente guitarra de Hendrix ao fundo. Flamejantes molotovs de alegria e esperança. Pois é, você não sente saudades? Mas não sou só eu. Percebe o "revival" que está ocorrendo? As pessoas perceberam o que é viver sob um mundo sem mais história, onde a trilha sonora de toda uma década é o tecno. Aí então, elas pegaram uma máquina do tempo e foram direto para os anos 70! Mas, o que vão fazer quando chegarem novamente ao presente? Devaneios, madrugada, frio e chuva. Melancolia, solidão, tédio e apatia. É, este sou eu.
![]() Comments: Sexta-feira, Setembro 17, 2004
![]() São Paulo é uma cidade de muitas surpresas. Como a taxa média de adrenalina na população é absurdamente alta, tal como o nível de estress, não me surpreendo mais ao topar com transeuntes solitários distraídos em acaloradas discussões. Hoje mesmo um distinto senhor, trajado num elegante terno, quase me atropelou. O sujeito, de olhos esbugalhados, corria desesperadamente enquanto gritava, e assim atravessou a Av. Brigado Luís Antônio em pleno sinal vermelho (para ele óbvio). Enfim, em meio a tantas surpresas, me deparei com um mundo, vasto mundo, de sebos e livros. Certo dia parei alguns momentos em um deles, que fazia uma promoção de livros a apenas 1 real. Qual não foi minha surpresa quando, embaixo de toneladas de livros de auto-ajuda, eu resgatei um exemplar do Retrato de Dorian Gray, de Oscar Wilde? Trata-se de uma edição de 1957, em estado precário e com toneladas de bolor entre cada uma de suas 180 páginas. O Retrato de Dorian Gray é representante máximo do chamado esteticismo, a arte enquanto valor supremo, superior à própria vida. De certa forma, a mesma paixão estética pela arte em que Wilde declama em seu livro, é paixão declarada à Juventude, enquanto expressão máxima de força, vitalidade e, principalmente, beleza. Estranhamente, o livro se torna uma espécie de auto-biografia do que viria a ser sua própria trajetória. Wilde, assim como o pintor que elabora o retrato do jovem Gray no livro, se apaixona perdidamente por um jovem, no caso, Alfred Douglas, o Bosi. "Você é a atmosfera de beleza através da qual eu vejo a vida, a encarnação de todas as coisas lindas", escreveu Wilde a seu jovem amante. Porém, assim como Gray se distancia do pintor e o assassina violentamente tempos depois, Bosie na vida real abandonou Wilde, que simplesmente perdeu a estimulo à literatura, morrendo pobre e solitário. Wilde inscreve-se, assim, no rol dos artistas que tentaram fazer da própria vida uma obra de arte. Cobain explodiu os próprios miolos com a mesma insanidade que escrevia e gritava suas canções. Morrison foi a própria encarnação da transgressão em vida. Clapton, Cazuza, enfim, pessoas que não puderam conter o impulso artístico na redoma de vidro do discurso e teoria. Werther Bem, mas o que eu queria enfatizar mesmo é a questão da juventude. Aproximando-se meu 22º ano de vida (não espalhem!), ando meio assustado com a velocidade com que se vão as folhas do calendário. Há algumas semanas escuto de forma obsessiva uma banda chamada Dance of Days. Trata-se de uma banda de punk rock com fortes tendências pós-punk (Joy Division), que canta letras como "agarro meus sonhos com minhas mõas, mas entre meus dedos, eles se vão" com um vocal absolutamente insano, como se o vocalista tivesse em plena sessão de tortura, tendo seus testículos esmagados por um touro! (homenagem às hilárias metáforas da nova revista MOSH, altamente recomendável!) O tom ultra-romântico transpira nas letras do DOD. Lamúrias exasperadas sobre a juventude perdida encontram-se em quase todas as canções. E, à beira do precipício do dia fatídico que irei avançar mais um dígito na contagem de meus anos sobre a Terra, sinto-me indiferente. Mentira, estou assutado. Obs. Certa vez li uma crítica de um jornalista sobre blogs. Disse ele que, de maneira geral, os textos "bloguísticos" não são literatura ou algo que o valha, pois, também de modo geral, não possuem qualquer tipo de rigor ou método. Mas, isso é algo ruim? Obs.2: Grande abraço a todos os amigos. Muitas saudades! Comments: Sexta-feira, Agosto 13, 2004
I Think, Derek Batty Há pouco tempo tive o estranho prazer de ler uma matéria bizarra, publicada por um conceituado jornal paulista. Certo, não vamos proteger ninguém, foi no caderno olha-como-sou-cult Mais, da Folha de S. Paulo. A matéria era, na verdade, uma série de depoimentos com personalidades do mundinho cult, com a seguinte temática: quais são as dez coisas que você gostaria de fazer antes de morrer? A singela questão acertou como uma flecha na mediocridade reinante em nossa chamada intelectualidade. Não faltaram respostas do tipo: ler, reler, decorar toda a obra de James Joyce! Pobre criatura! Respostas reveladoras desse tipo desfilaram em páginas e páginas de depoimentos vazios. A única resposta com o mínimo de sentido foi o seguinte: aprender a dançar! A propósito: não, não nos sentimos mais vivos quando estamos em constante atividade. Isso nos prende dentro de um automatismo estéril. Quando trabalhamos muito, sequer refletimos sobre o próprio trabalho, quanto mais sobre a própria existência. Quando a torrente incessante da vida nos colhe, temos que emergir a cabeça para respirar e procurar um galho para segurar. E Viva o ócio! Comments: Sábado, Julho 10, 2004
![]() Mudei-me recentemente de cidade, o que me obrigou a dar uma espécie de férias forçadas ao blog. Devidamente assentado e me adaptando ao novo cotidiano, espero voltar a escrever regularmente. Agora moro em São Paulo, a megalópole sul-americana. Nesta duas últimas semanas estive desbravando a capital paulista, como um bandeirante ás avessas, saindo do interior e descobrindo o centro do país. Apesar do pouco tempo, já é possível tirar algumas impressões desta complexa cidade. Como Euclides da Cunha fez na descrição da cidade de Conselheiro, vamos começar com os aspectos geográficos. A TERRA A dura poesia concreta de tuas esquinas Não é exagero dizer que a maior parte da cidade, pelo menos com relação ao centro, exala um desagradável odor. Quando não é o sufocante gás carbônico dos automóveis que invade nossas narinas, é a fragrância peculiar de amônia que se exala das calçadas e paredes, especialmente nas paradas de ônibus. A imponência arquitetônica dos edifícios, por sua vez, exibe-se envolta num manto acizentado. A feia fumaça que sobe apaga muito mais que as estrelas. A impressão que se tem é que o céu São Paulo está permanentemente nublado. E em meio à densa neblina, percebe-se o nítido contraste entre construções centenárias e modernos edifícios. Aliás, algo que me impressionou bastante foi a arquitetura antiga preservada em alguns locais da cidade. O Mosteiro de São Bento é realmente muito bonito, assim como a Estação da Luz. Não é surpresa para ninguém que a cidade seja feia. Porém, o que me surpreendeu mesmo foi descobrir que existem muitos lugares agradáveis em meio àquela selva de pedras. Um deles é o jardim da Estação da Luz, um verdadeiro oásis de tranqüilidade. Localizado bem ao lado da Pinacoteca, o lugar é um paraíso para cachorrinhos em passeio, idosos e crianças. Ainda não tive oportunidade de conhecer o Ibirapuera, mas pela fama do parque penso que não irei me decepcionar. O HOMEM O paulistano é antes de tudo um apressado. Quer ter uma noção de como as pessoas andam na cidade? Observe atentamente uma fila de formigas andando de forma organizada rumo àquele farelo de Nabisco que você deixou cair no chão da sala. Em seguida, bata levemente com a sola do chinelo bem no meio da linha de formigas (mas não as machuque!). Pronto! Você tem a representação fiel de pedestres paulistanos andando caoticamente rumo a algum lugar. O povo oprimido nas filas, nas vilas, favelas A miséria é algo gritante em todos os locais de São Paulo. Mais que em qualquer outro lugar, na capital a desigualdade salta dos índices dos jornais e se personaliza em cada esquina . A miséria não simplesmente aborrece, constrange ou indgna. A miséria grita aos nossos tímpanos. Uma cena que me marcou bastante foi a de um mendigo deitado numa calçada, cobrindo-se com um precário cobertor. Chovia, e a chuva ficava cada vez mais forte. Tudo que aquela pessoa podia fazer era tentar se proteger dos cada vez mais grossos pingos de água com o próprio cobertor. É notória a quantidade de migrantes de origem nordestina nos locais mais pobres da cidade. Enquanto que, na Paulista, centro financeiro, há uma profusão de distintos cavalheiros brancos e engravatados. Percebe-se que, sem dúvida, a grande maioria dos trabalhadores da capital paulista é nordestina. Portanto, deve-se a eles a fama de abnegados trabalhadores que os paulistanos cultivam. Hã? Você tinha outra idéia sobre isso? Pois é, é melhor mudar os seus conceitos! A seguir, o próximo capítulo: A LUTA. Comments: Segunda-feira, Junho 07, 2004
Tento, na medida do possível, não transformar este blog numa espécie de pequeno diário pessoal. Minha vida não é tão interessante assim, e eu perderia os poucos (mas queridos) leitores que gastam um precioso tempo acompanhando isto daqui. Porém, abro aqui uma pequena exceção. É que semana passada eu estava cobrindo a eleição de um sindicato em Ribeirão, e me envolvi numa briga entre chapas concorrentes. Não foi nada muito sério, não morreu ninguém e levei apenas alguns empurrões. Mas o que surpreendeu foi a repercussão da coisa. Como toda a imprensa estava lá cobrindo (era uma eleição tensa), apareci em todos os telejornais da região levando uns bons "chega-pra-lá" de seguranças com o triplo do meu peso e altura. Deixo aqui uma pequena amostra do que aconteceu. Quem tirou esta foto foi o fotógrafo Fernando Calzzani, que estava, inteligentemente, alguns metros afastado da confusão.
![]() Comments: Terça-feira, Junho 01, 2004
![]() Existem momentos em que a única a se fazer é ligar o som e deixar a música fluir. Bem, acho que este é um momento assim. Quem já acompanha este blog há algum tempo conhece a incrível história do maior bluesman de todos os tempo. Para os sortudos que tiveram a infelicidade de topar por aqui recentemente, conto um pouco da lenda de Mister Robert Jonhson. Nascido às margens do Mississipi, Jonhson teria firmado um pacto com o Diabo para se tornar o maior músico do mundo. Após o pacto, o bluesman conquistara a fama e a glória no efervescente cenário bluseiro da época. O preço, porém, seria cobrado pouco tempo depois. Jonhson, segundo relatos, morreu de forma repentina. Dizem que ele emitia loucos grunhidos enquanto agonizava. Os céticos acreditam que Jonhson foi envenenado pelo marido de uma de suas muitas amantes. Algumas décadas depois, o espírito de Roberto Jonhson acordou e decidiu se levantar das profundezas lamacentas do Mississipi. Escolheu a dedo o corpo que iria tomar para chorar novamente suas canções. O escolhido foi ninguém menos que Eric Clapton. Demonstrando um profundo senso de ironia, Robert baixou no homem que viu seu nome comparado a Deus nos muros pichados da Inglaterra: Eric is God. O resultado desta intrépida blasfêmia foi registrada no maravilhoso Me and Mister Bob, recente lançamento de Clapton. Bem interessante mesmo pra quem não curte muito blues. No álbum De..., digo Clapton, interpreta antigas canções do mestre Jonhson com um instrumental bem incrementado para as músicas gravadas originalmente apenas com um precário violão. ![]() Há coisas na vida que nos passam incólumes e só vamos nos dar conta muito tempo depois. A banda inglesa Drugstore foi uma delas. Havia conhecido o grupo há alguns anos, porém não dei a mínima atenção. Azar o meu. Repentinamente, sentado no computador e com os olhos fixos na tela, aquele nome me veio a mente. Ato reflexo, passo a procurá-lo desesperadamente na net. E, meu amigo, não faça como eu, vá correndo conhecer também! Trata-se da banda liderada pela vocalista brasileira Isabel Monteiro. O som é doce e melancólico, fria como as ruas úmidas de Londres. Melodias suaves e penetrantes ecoam na voz assustadoramente perfeita de Monteiro, uma espécie de Janis Joplin tropical naturalizada britânica. As letras são de arrepiar, no bom sentido. Uma de minhas preferidas chama-se Say Hello, uma saudação aos bêbados, drogados e prostituídos: I say hello To all the junkies The sinners and the creeps I say hello To all the people in this place I say hello To all the drug-heads The prostitutes and freaks Outra canção interessante é El Presidente, uma homenagem a Salvador Allende. Nela, Isabel divide o vocal com ninguém menos que Thom York, do Radiohead. Música é um negócio muito engraçado. Não sei quanto a você, mas eu sempre associo um som a um certo clima. Por exemplo, não consigo pensar em Pink Floid sem imaginar um tempo nublado e chuvoso... Bom, acho que isso fica pra um próximo post. Grande abraço a todos!
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