C@fe com Jornal |
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Diego Cruz, 21 anos, estudante de jornalismo (mas apesar disso uma boa pessoa), estranho, e...não sei mais!
"Se o homem fosse completamente desprovido da faculdade de sonhar, eu não poderia entender o que o levaria a realizar vastos e fatigantes trabalho na arte, na ciência e na vida prática... Quando existe contato entre o sonho e a vida, tudo vai bem."
Pissarev, em trecho citado por Lênin em "Que Fazer"
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Comments:
Sábado, Novembro 13, 2004
![]() Quando criança, uma idéia sempre me vinha à cabeça quando brigava com meus pais. Uma idéia tão simples quanto fantasiosa. "Deveria existir um guia prático sobre como educar seus filhos", pensava revoltado. Seria fácil. Junto com o bebê, envolto na placenta e preso ao cordão umbilical, um manual seria gerado. Um guia mesmo, como um manual do proprietário de um carro. O guia traria desde as mais básicas informações, para os genitores inexperientes, até as mais complexas regras de convivência e educação que devem reger as relações humanas. Tudo devidamente ilustrado e com um glossário no final. Tiro e queda. Não haveria mais contendas entre pais e filhos e o mundo seria melhor. Pouco depois desenvolvi a idéia e achei que isso seria insuficiente. Cada pessoa deveria vir ao mundo com seu próprio manual. Desta forma, a relação pai e filho seria apenas um dos muitos capítulos do guia. Evidentemente, a leitura do manual só seria possível após a alfabetização. Cada etapa da vida do ser humano teria todo um capítulo explicativo. A leitura, claro, deveria seguir uma estrita ordem cronológica. "Como espremer suas espinhas sem deixar marca", "Calma, isso é perfeitamente natural", "É hora de trabalhar", "Mudando de emprego". O capitulo final seria o mais aguardado: revelaria de forma clara e concisa todos os grandes segredos do mundo e o principal deles: a razão da vida, como um apoteótico desfecho de um livro de suspense. Não sei quanto a você, mas eu tenho o grave defeito de folhear as últimas páginas de um livro que estou lendo. Eu já conheceria todos os segredos da vida logo de cara e tudo faria sentido. "Ah, mas você perderia toda a magia do mistério do desconhecido", argumentariam alguns românticos. Nada! Por exemplo, no primário eu nutria uma arrebatadora paixão platônica por uma garota. Alguns diziam "assim é mais gostoso". Não! "Gostoso" seria agarrar a pobre menina e tascar-lhe um beijo na bochecha! Compreende? Isso seria viver plenamente. Ao invés de mera contemplação, a mais pura ação consciente. XXII Foi rápido, fácil e indolor. Quando percebi, já tinha vinte e dois anos nas costas. Li recentemente uma reportagem sobre uma tal crise dos vinte e quatro ou algo assim. Para mim, parece batata. Depois de passar pela crise dos dezoite e meio, dezenove e um quarto, e agora os quase vinte e dois, dá pra encarar qualquer coisa. Agradeço de coração as felicitações. |